Angola, aquele reino comprado a Portugal há 50 anos pelo MPLA, reportou mais 511 casos de cólera nos últimos três dias, dos quais 27 fatais, estando agora a província de Benguela no epicentro da doença, segundo os boletins epidemiológicos no Ministério da Saúde.
Desde o início do surto, a 7 de Janeiro, foram registados 9.785 casos e 383 óbitos, com uma taxa de letalidade de 3,9%, acima do padrão. A maioria dos novos casos têm sido reportados em Benguela, Cuanza Norte e Luanda. Nas últimas 24 horas receberam alta 83 pessoas e actualmente estão internadas 401 pessoas com cólera.
Segundo o último relatório da Unicef, datado de 28 de Março, cerca de 40% dos casos são relativos a crianças e adolescentes entre os 0 e os 19 anos e 30% das mortes ocorreram fora dos centros de tratamento da cólera.
Actualmente a cólera está disseminada por 17 das 21 províncias do reino com 93% dos casos reportados em cinco (Luanda, Bengo, Icolo e Bengo, Cuanza Norte e Benguela). Luanda é a provincial mais afectada devido à densidade populacional.
Para aumentar a imunidade, foram disponibilizadas mais 700.500 doses de vacina, para uma campanha de vacinação direccionada para as áreas de alto risco nas províncias do Bengo e Luanda.
A epidemia é agravada pela falta de abastecimento de água e de saneamento (culpa, obviamente, dos portugueses…) inadequado em áreas urbanas densamente povoadas e pela estação chuvosa, aumentando a necessidade de uma acção rápida e coordenada por parte das autoridades de saúde, das Organizações Não Governamentais e dos parceiros internacionais. Do ponto de vista interno, o MPLA está descansado e mantém a situação sob controlo porque, desde logo, os sipaios do general João Lourenço garantiram-lhe que a cólera (tal como a malária, a tuberculose, a fome etc.) só mata quem estiver… vivo.
Os especialistas internacionais e nacionais, que não são reconhecidos pelo MPLA, afirmam que são necessários esforços imediatos para conter o surto, impedir uma maior transmissão e assegurar o tratamento atempado das pessoas afectadas. Mostrando que nada percebem do assunto, esses especialistas dizem que o surto também representa uma séria ameaça para as províncias vizinhas, o que evidencia a necessidade de uma resposta nacional abrangente.
Registe-se, entretanto, que apesar destes casos que revelam a megalomania do regime do MPLA, dirigido por um governo formado por políticos cujo quociente de inteligência é inferior ao dos babuínos, Angola tornou-se um reino inovador no que diz respeito – segundo a propaganda oficial – aos cuidados de saúde, depois da realização da primeira cirurgia robótica a um paciente com cancro da próstata, segundo o fundador e director médico do Global Robotics Institute, Vipul Patel.
O especialista, que liderou a equipa da primeira cirurgia robótica em Angola (exactamente o mesmo reino onde há 20 milhões de pobres e gente a morrer de cólera), fez este pronunciamento no dia 6 de Agosto de 2024, em Luanda, no final da audiência concedida pelo Presidente da República e campeão de tudo e mais alguma coisa, general de três estrelas, João Lourenço.
“Este é um projecto com o qual nós temos estado a trabalhar há já muitos anos. Portanto, sempre foi o sonho de Sua Excelência Presidente da República de Angola ter a cirurgia robótica realizada em Angola, e graças a Deus aconteceu”, realçou numa clara referência ai general João Lourenço, o deus que assina os cheques…
O médico afirmou que a cirurgia robótica realizada no Complexo Hospitalar de Doenças Cárdio-Pulmonares foi a primeira a acontecer na África Ocidental e um marco importante não apenas para Angola, mas para todo o continente africano. Os milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com… fome, bem como mais uns tantos milhões que estão a apender (sem grande êxito, acrescente-se) a viver sem comer, tendo já o líder da comunidade de chimpanzés e similares de África, general (de duas estrelas) Cesar Augustine, agradecido ao Presidente do MPLA.
Vipul R. Patel, que também é vice-presidente da Sociedade Robotics, aproveitou a audiência para felicitar o Presidente da República dono do reino pelo feito alcançado no sector da Saúde (corrobore-se o faco de João Lourenço ter garantido, para gáudio de todos, que todos os angolanos entes de morrerem estare vivos).
Façamos, já agora, um exercício de memória e regressemos a Dezembro de 2008. A epidemia de cólera no Zimbabué tinha feito no segundo semestre desse ano mais de 1.500 mortos, segundo um balanço oficial divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Mas o que é que isso agora importa? Nada, é claro. Tal como agora no reino do MPLA, eram/são apenas negros a morrer. As atenções mundiais estavam concentradas noutros palcos. Hoje mudaram os palcos, mas os africanos continuam a morrer de fome, de cólera, de malária.
A invasão da Faixa de Gaza, a guerra na Ucrânia, a demência criminosa do novo presidente norte-americano, uma espécie de babuíno branco, ou uma bitacaia em João Lourenço é que são notícia…
Mas o que é que são milhões de pessoas que em toda a África morrem de fome, de doença ou pelos efeitos da guerra, comparados com o resto?
E assim se faz a história onde as prioridades, entre outras justificações, são feitas pela cor da pele. Racismo? Não. Nem pensar. Apenas uma realidade indesmentível: uns são negros, outros não! E até os dirigentes africanos que são negros, quando se olham ao espelho julgam ser brancos.